Federação Nacional dos Empregados Vendedores e Viajantes do Comercio, Propagandistas, Propagandistas-Vendedores e Vendedores de Produtos Farmacêuticos.
No princípio, a égua madrinha vinha à frente, anunciando a tropa. Lá vinha, pela estrada poeirenta, o almocreve.
Uma encomenda de uma peça de tecido aqui, duas dúzias de chapéu coco para o armazém, uma caixa de bala para o coronel.
Tudo entregue e, de novo, pela estrada poeirenta, lá vai o almocreve seguindo seu caminho.
Depois, veio o mascate.
A seda é a melhor da China, garante ele. Botões de madrepérola, asseguro. Foi o melhor óleo de cabelo que consegui na praça.
E o linho é 120 Taylor, pode ficar tranqüilo.
No encontro transformado em amizade, o velho mascate de pesadas malas às costas, visitava cidades, vilas, povoados, fazendas distantes, distantes distâncias.
As estradas foram asfaltadas. Os vizinhos se aproximaram tanto, que os caminhos foram encurtados.
O almocreve sumiu. Sumiu o mascate. Nasceu o VIAJANTE. Surgiu o VENDEDOR.
A peça de tecido foi substituída pelo trator. A caixa de bala pela máquina de escrever. Os botões de madrepérola são computadores comercializados nos grandes centros.
Mas o ideal é o mesmo. Se há compradores, é necessário VOCÊ, VENDEDOR.
E, na dura estrada da vida, você continua cruzando os caminhos, atendendo com o mesmo sorriso a todos, lembrando toda uma tradição que se moderniza, mas não pode deixar de existir.
A ti, VENDEDOR, nossa homenagem.
Wilson Maux
(Jornalista – Poeta – Escritor)